2. Capítulo - Poder, Política e Democracia


Você já parou para pensar que a sociedade em que vivemos não surgiu do nada, mas foi sendo construída pouco a pouco pelas escolhas e disputas das pessoas ao longo do tempo? Quando a gente fala de política, poder e democracia, não estamos falando de algo distante, só de governantes em Brasília ou de eleições a cada quatro anos. Estamos falando de algo que está presente em situações do nosso dia a dia, dentro da família, na escola, no trabalho e até nas redes sociais. O jeito como organizamos a vida em sociedade depende dessas relações. E é justamente isso que vamos discutir: como o poder é exercido, como a política organiza esse poder e por que a democracia é fundamental para que todos possam participar e ter voz.

Primeiro aprofundamento: entendendo os temas centrais

Antes de tudo, precisamos separar três palavras que parecem sinônimos, mas não são: poder, política e Estado.

  • Poder é a capacidade de influenciar as pessoas, de fazer valer a própria vontade, mesmo que alguém resista. Isso vale tanto para um pai ou mãe que define a hora de chegar em casa quanto para um governante que cria leis.
  • Política é o jeito que usamos para organizar esse poder, para disputar e conquistar espaço de decisão.
  • Estado é a forma institucionalizada desse processo, ou seja, o conjunto de instituições que governam uma sociedade.

Além disso, é importante lembrar que o poder se apresenta em diferentes formas: o econômico (quem tem dinheiro pode influenciar decisões), o ideológico (as ideias que moldam nosso comportamento e visão de mundo) e o político (a força legítima usada para impor regras e leis).

Outro ponto essencial: o poder pode ser exercido de formas legítimas ou não. Max Weber, um sociólogo muito citado, dizia que há três tipos de dominação legítima:

  1. Tradicional (baseada nos costumes, como no patriarcalismo ou no coronelismo).
  2. Carismática (quando um líder é seguido pela confiança em suas qualidades pessoais).
  3. Racional-legal (baseada em normas e leis, como vemos nas burocracias do Estado moderno).

Essas ideias ajudam a entender por que, ao longo da história, os governos se organizaram de maneiras diferentes: monarquias, repúblicas, presidencialismo, parlamentarismo etc.

Desenvolvimento: fatos históricos e argumentos

Agora que já entendemos o básico, vamos mergulhar na história. A ideia de política nasceu lá na Grécia antiga, quando os cidadãos de Atenas participavam diretamente das decisões da pólis (cidade-Estado). Essa era a chamada democracia direta, em que os próprios cidadãos se reuniam para deliberar sobre as leis. Mas vale lembrar: nem todos eram considerados cidadãos. Mulheres, estrangeiros e escravizados ficavam de fora.

Com o tempo e as transformações históricas – Revolução Inglesa, Revolução Americana e Revolução Francesa –, a política passou a ser pensada de outro jeito. Surgiu a noção de democracia representativa, em que elegemos representantes para tomar decisões em nosso nome. Esse modelo é o que predomina hoje, mas também tem limites: será que os representantes realmente ouvem e defendem os interesses da população?

Outro ponto central é o Estado moderno, que surgiu para superar a fragmentação do feudalismo. Ele se organiza em torno de cinco elementos: povo, território, governo, finalidade e soberania. No Brasil, por exemplo, nossa Constituição de 1988 deixou claro que o Estado deve promover justiça social, combater desigualdades e garantir direitos para todos. Isso mostra como a política é também um campo de disputa: será que esses objetivos têm sido cumpridos?

Vale destacar também dois modelos de Estado que marcaram o século XX:

  • O Estado de Bem-Estar Social, inspirado nas ideias de Keynes, que defendia a intervenção do Estado para garantir empregos, educação e saúde.
  • O Estado neoliberal, que surgiu com líderes como Thatcher e Reagan, defendendo menos presença do Estado e mais poder para o mercado.

Esses modelos influenciam diretamente nossas vidas até hoje. Quando discutimos cortes em investimentos em saúde ou educação, estamos, no fundo, debatendo o tamanho e o papel do Estado.

E não podemos esquecer das lutas sociais que ampliaram a democracia. Desde a Revolução Francesa até os movimentos de mulheres, negros, trabalhadores e LGBTI+, o que vemos é que a democracia não foi um presente das elites, mas uma conquista de quem estava excluído. O impeachment de presidentes, as Jornadas de Junho de 2013 e manifestações contra cortes em direitos mostram como a sociedade continua disputando espaço político.

Conclusão: consciência histórica e desafios do presente

Chegando ao fim dessa conversa, precisamos retomar a ideia central: poder, política e democracia fazem parte do nosso cotidiano e da nossa história. Eles não são conceitos abstratos, mas ferramentas que moldam nossa vida.

Agora, o que fazer com esse conhecimento? É aqui que entram as ideias de Jörn Rüsen e Peter Lee, que falam da importância da consciência histórica. Para eles, estudar história não é apenas olhar para o passado como algo distante, mas entender como ele ajuda a dar sentido ao presente e a imaginar o futuro. Isso significa que, quando olhamos para as lutas por democracia do passado, conseguimos enxergar melhor os desafios atuais.

Por exemplo: se a democracia ateniense excluía mulheres e escravizados, e se ao longo dos séculos as pessoas lutaram para ampliar quem pode participar, será que hoje já vivemos uma democracia plena? O que dizer das desigualdades que ainda limitam a voz de muitas pessoas? Quando vemos notícias sobre fake news, violência política, desrespeito às instituições ou tentativas de silenciar grupos sociais, estamos diante de dilemas semelhantes aos que marcaram o passado.

A consciência histórica, portanto, nos ajuda a perceber que democracia não é algo pronto, mas em construção. Cabe a cada geração, inclusive a de vocês, decidir se vai fortalecer ou enfraquecer esse processo. A pergunta que fica é: que papel você quer assumir nessa história? Vai ser apenas espectador ou protagonista de uma sociedade mais justa e democrática?

Vamos aprofundar esse conteúdo? 

1. O cotidiano do poder

“Poder, política e democracia não estão apenas nos espaços formais do governo. Eles aparecem em situações do dia a dia, como na família, na escola ou até nas redes sociais.”

A partir do trecho, conclui-se que o poder:

a) É exclusivo do Estado e de seus representantes eleitos.
b) Só se manifesta em instituições oficiais.
c) Está presente nas relações humanas cotidianas, influenciando decisões e comportamentos.
d) Depende sempre do uso da força física para se impor.

2. Dominação legítima segundo Weber

“Max Weber classificou os tipos de dominação legítima: a tradicional, baseada nos costumes; a carismática, no prestígio pessoal do líder; e a racional-legal, nas leis e normas estabelecidas.”

Em um país democrático que realiza eleições regulares e cujo governo é regido por uma constituição, o tipo predominante de dominação legítima é:

a) Tradicional
b) Carismática
c) Racional-legal
d) Religiosa

3. Democracia: conquistas sociais

“A democracia não foi um presente concedido pelas elites. Foi resultado de lutas de mulheres, trabalhadores, negros, indígenas e de outros grupos historicamente excluídos.”

Com base no texto e nos processos históricos de ampliação da cidadania, a consolidação da democracia está associada:

a) À manutenção dos privilégios das elites econômicas.
b) À organização e mobilização social em busca de direitos.
c) Ao enfraquecimento da participação popular em decisões políticas.
d) À imposição de modelos de governo autoritários.

4. Grécia Antiga e limites da participação

“Na Grécia Antiga, a democracia era direta: os cidadãos reuniam-se para decidir os rumos da cidade. Contudo, mulheres, estrangeiros e escravizados eram excluídos desse processo.”

O contraste entre a democracia ateniense e a atual evidencia que:

a) A democracia antiga foi mais inclusiva que a moderna.
b) A exclusão de grupos sociais é um problema superado definitivamente.
c) A ideia de participação política evoluiu para reconhecer mais direitos e ampliar a cidadania.
d) A democracia contemporânea mantém os mesmos critérios de exclusão da Antiguidade.

5. Modelos de Estado

“O Estado de Bem-Estar Social buscou garantir emprego, saúde e educação por meio da intervenção estatal, enquanto o neoliberal defende menor presença do Estado na economia.”

O modelo neoliberal caracteriza-se principalmente por:

a) Expansão dos gastos públicos com proteção social.
b) Ampliação do controle estatal sobre o mercado.
c) Redução da intervenção do Estado e maior liberdade para o mercado.
d) Garantia universal de serviços públicos financiados por impostos.

6. Poder e legitimidade

“O poder pode ser exercido de modo legítimo ou ilegítimo. É legítimo quando reconhecido e aceito pela sociedade; é ilegítimo quando imposto pela força, sem consenso.”

Considerando o conceito acima, é exemplo de poder ilegítimo:

a) Cobrança de impostos aprovados por lei.
b) Liderança de um diretor de escola eleito pela comunidade.
c) Governo que assume o controle do país por meio de golpe militar sem respaldo legal.
d) Aplicação de multa de trânsito conforme legislação vigente.

7. Democracia e desafios contemporâneos

“Será que já vivemos uma democracia plena, considerando as desigualdades persistentes, as fake news e as tentativas de silenciar grupos sociais?”

A pergunta do texto convida o leitor a:

a) Aceitar que a democracia é um processo concluído e imutável.
b) Reconhecer que a democracia enfrenta desafios e requer participação ativa para se fortalecer.
c) Desconsiderar as desigualdades como fatores que afetam a democracia.
d) Substituir a democracia representativa por regimes autoritários.

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