Resumos - Capítulos 4, 5 e 6


CAP. 4 - TEMPOS DA NATUREZA E AÇÃO ANTRÓPICA
CAP. 5 - OS DESAFIOS DA SUSTENTABILIDADE E DA AGENDA AMBIENTAL
CAP. 6 - SOCIEDADE E MEIO AMBIENTE

As fontes fornecem uma perspectiva detalhada sobre a "Natureza Humanizada: do Meio Natural ao Meio Técnico" dentro do contexto mais amplo de "Tempos da Natureza e Ação Antrópica", destacando a crescente e profunda intervenção humana no planeta ao longo da história e suas consequências socioambientais.

Desde o surgimento do gênero Homo, há cerca de 2,5 milhões de anos, a intervenção humana no meio natural tem sido cada vez mais intensa. Calcula-se que, antes da aparição da espécie humana, os rios lançavam 10 bilhões de toneladas de sedimentos nos oceanos anualmente; hoje, com a prática da agricultura intensiva, esses lançamentos chegam a 25 bilhões de toneladas anuais. Isso já demonstra um impacto significativo das primeiras formas de organização social na paisagem natural.

No entanto, o ponto de virada decisivo para a transformação em larga escala ocorreu a partir do final do século XVIII, com a Revolução Industrial. Este período marcou a substituição da energia humana ou animal pela energia mecânica, inicialmente movida pela combustão do carvão mineral. A máquina a vapor, por exemplo, expandiu drasticamente a capacidade produtiva e possibilitou a conexão de diversas regiões do mundo através de ferrovias e navios transatlânticos, culminando na formação de um extenso "meio técnico". Este "meio técnico" é caracterizado por objetos construídos pelos seres humanos para servir a determinados fins, causando profundas alterações nas dinâmicas da natureza.

A intensificação dessa intervenção humana nas paisagens e os impactos ambientais resultantes tornaram a noção de progresso cada vez mais associada à ideia de destruição e degeneração do meio natural, especialmente em países europeus no final do século XVIII. Exemplos dessas modificações incluem:

  • Alterações no fluxo dos rios, com canalizações e retificações de calhas fluviais.

  • Formação de crateras superficiais e subterrâneas para a construção de túneis e redes de metrô.

  • Modificações de áreas do relevo para a exploração mineral, construção de aterros, pontes e rodovias.

  • Atualmente, mais da metade da superfície terrestre foi intensamente modificada pelas atividades humanas.

A perspectiva dos "Tempos da Natureza e Ação Antrópica" destaca a distinção entre os longos tempos naturais (como o tempo geológico, de bilhões de anos, e o tempo cíclico de processos como o ciclo hidrológico) e o "tempo social", que se expressa no domínio das técnicas e na crescente interferência humana na natureza. A atuação antrópica, embora represente uma porcentagem pequena da longa história de transformações do planeta, tem consequências muitas vezes catastróficas. A disseminação de objetos técnicos é tão impactante que alguns cientistas propõem a inclusão de uma nova época na escala de tempo geológico, o Antropoceno, marcada pela intensidade e extensão da ação humana, com a presença de "tecnofósseis" (alumínio metálico, plástico, concreto) nos estratos rochosos.

A "natureza humanizada" e a emergência do "meio técnico" têm levado a degradação socioambiental. Isso é evidente no esgotamento dos recursos naturais, que são elementos da natureza transformados pela sociedade para satisfazer suas necessidades. Há uma distinção crucial entre recursos renováveis e não renováveis. Combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, são exemplos de recursos não renováveis, pois seu tempo de formação natural (milhões de anos) é imenso em comparação com o curto tempo de consumo social. Mesmo recursos considerados renováveis, como água e florestas, estão se esgotando devido à exploração intensiva e a um ritmo de extração superior ao de reposição.

A ação antrópica, especialmente após a Revolução Industrial, intensificou problemas como a poluição do ar e da água, o desmatamento, a extinção de espécies e o esgotamento dos solos, atingindo proporções alarmantes. Isso levou ao surgimento do debate ambiental como tema político prioritário, com correntes como o preservacionismo (natureza intocada) e o conservacionismo (uso sustentável de recursos, ideário que influenciou o conceito de sustentabilidade). O desenvolvimento sustentável busca conciliar crescimento econômico com conservação ambiental e melhoria das condições de vida da população, especialmente a mais pobre.

No entanto, a relação da sociedade com o meio ambiente e suas consequências também se manifesta em conflitos socioambientais e injustiças. A modernização e a industrialização frequentemente beneficiam certos grupos em detrimento de outros, transferindo atividades nocivas para países em desenvolvimento com legislação ambiental menos rígida, ampliando a desigualdade. A questão da justiça ambiental emerge, argumentando que os problemas ambientais não afetam a todos igualmente, mas sim desproporcionalmente os grupos sociais mais vulneráveis e marginalizados, como populações de baixa renda, em zonas de risco (encostas, várzeas, perto de lixões e fábricas poluentes).

Em suma, as fontes ilustram como a jornada da humanidade transformou o meio natural em um complexo meio técnico, criando um "tempo social" que acelera processos e impactos. Essa transformação, embora geradora de "progresso" e riquezas, também resultou em profundas degradações ambientais e sociais, levantando a necessidade urgente de um desenvolvimento mais sustentável e justo. A discussão central é a do delicado balanço entre a incessante capacidade humana de moldar o ambiente e a finitude e sensibilidade dos sistemas naturais.

A transição do meio natural para o meio técnico e a natureza humanizada é como uma grande escavadeira que, ao invés de apenas mover terra, começou a remodelar o próprio terreno da existência, alterando os cursos d'água, nivelando montanhas e criando novas estruturas, mas também gerando pilhas de entulho e alterando o clima, deixando em evidência que cada movimento tem um impacto duradouro e que as consequências dessa remodelagem não são sentidas igualmente por todos.

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